Comer É Um Ato Político

UM LIVRO.
57 POETAS CONTEMPORÂNEOS.
UM ASSUSTO URGENTE!

ISBN 978-65-81362-21-8

Denis Scaramussa Pereira — Finados

o quilo do osso
pela hora da morte

e o cão não larga

até que a última alma
desencarne


APRESENTAÇÃO — NEUZI BARBARINI

Ato banal, necessidade básica, prazer, pecado, isso é comer. Tem a ver com manutenção da vida - mesmo que tentem (e tentam) - ninguém vive (nem sobrevive) sem comer. Mas tem a ver também com a morte. Pelo excesso ou pela falta morre-se, mata-se, e também se domina o outro, o pobre, o faminto.

O faminto dobra o lombo ao seu algoz, mas também transgride - o ladrão de comida é um fora-da-lei – mas transgride-se também pelo prazer, pelo excesso. Quando em excesso, o comer é pecado, e pecado capital, pai de outros vícios e exige controle, moderação. Comer pode, mas sem exageros. Comida é contradição.

Comida é dominação. Há uma indústria que nos diz o que comer, que sutilmente ou descaradamente, nos induz a comer o que interessa aos donos do poder, fazendo com que se deixe para trás as diferentes práticas do comer dos povos. A complexa linguagem do comer se resumindo a um combo de hamburger e batatas fritas para muitos e às iguarias gourmets, cheirosas e saborosas, para poucos, mas também elas obedecem aos cânones do mercado. Comida é moda.

Comida é ética, escolhas, certo, errado, ou os dois juntos. Mediado pelas suas crenças, o comedor é um julgador. Kosher? Carnívoro? Vegano? Hinduísta? Adventista? Comer é religião e como tal produz interdições, “O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.”(Romanos 14:3)

Comida é encontro, sociabilidade, experiência social. Platão nos deleita com um banquete, e nele traz as regras do amor, da amizade, do companheirismo. A comida insere o sujeito na comunidade com a transmissão de modos de ser, de comportar. Comida é discurso público, e, portanto, política.

Comida expande horizontes. Cruzadas e navegações carregaram os cheiros e sabores das especiarias para um ocidente insípido. Viaja-se para comer, viaja-se comendo. A exploração de cheiros e sabores estimula a imaginação, excita, desperta, e, por mais que os especialistas tentam transformar a comida em nutriente, ela será sempre a velha e boa comida, atiçadora de sentidos. Comida é estética, é beleza, é poesia.

Estão servidos?


Neuzi Barbarini.
Psicológa, Professora.
Uma mulher comum que escreve poesias.
Poeta. Autora de Inventário (Patuá, 2019).



POETAS QUE PARTICIPAM

Leandro Emanuel Pereira, Emily Lima Bispo Bomfim, Lara Machado de Oliveira Santos, Alline Rodrigues, Géssica Maria Menino, Karla (Carla Fontoura), Valdeck Almeida de Jesus, Cezar Dias, Hilda Palhares, Bruno Bucis, Alberto Arecchi, Flavia Ferrari, Paulo Maurílio Pereira, Venâncio Grosso, Adriano Besen, Guilherme Fischer, Nirlei Maria Oliveira, Rozana Gastaldi Cominal, Alvaro Tallarico, Viviane Cabrera, Angela Dondoni, Denis Scaramussa Pereira, Jéssica Iancoski, Mateus Rodrigues Sales, André Eitti Ogawa, Lucas da Costa, Flávio Theodósio Junkes, Ian Anderson Gomes Dias, Manoel Roberto, Sammis Reachers, Afonso Guerra-Baião, Ana Luzia Oliveira, Marcus Groza, Sabrina Gesser, Jarbas Santos, Mariana Imbelloni, Olivaldo Júnior, Valeska Magalhaes, Joaquim Mattar, Pedro Luis, Marcos Pontal, Lua Pinkhasovna, Albinno Oliveira Grecco, Gustavo Anjos, Milena França, Alex Sandro Silva de Oliveira, Jeferson Ilha, Lara Kadocsa, Victor Coimbra, Neuzi Barbarini, Carolina Freitas, Diane Ruedo, André Machado de Azevedo, Renato Franco de Oliveira, Shirley Lima, Nayra Menezes Silva, Gescélio Felipe Coutinho.

POETA HOMENAGEADA — ROZANA GASTALDI COMINAL

Rozana Gastaldi Cominal, de Hortolândia-SP. Poeta e professora, Formada em Letras faz revisão de textos. Participação em podcasts: “Quarentena Poética” e “Toma Aí Um Poema”. Acredita na força dos coletivos e com eles faz voz: Mulherio das Letras, Mulheres Maravilhosas, Nua Palavra, Toma Aí Um Poema, Publicação de poemas em redes sociais, revistas literárias digitais, e-books e livros impressos, entre eles: Veias de Anil: (2016), Porque Somos Mulheres, Quarentena Poética (2020); Maravilhosas I, II e III, Enluaradas I, Mulherio das Letras na Lua Poesia 1, As 4 Estações, Permita-se Florescer, Sinergia, Mulherio das Letras para elas, Um dólar por dose, A poesia não é inofensiva, Chorando pela Natureza, #Diversos, Infâncias e Cotidiano, Poesia e Resistência (2021).