Mara Biancardi

TRANCAFIADOS

tracanfiados

sem poder de luta

os ratos o dominam

comem queijo pule (Sérvia)

bebem vinho Domainee de la Romanée

e dançam à revelia

do outro lado

impotência, medo, carnificina

cortam as vozes

impedem ações

eis um circo de ojeriza

que perambula por aqui

amoitar-se ou resistir?

contaminar-se ou romper?

trancafiados sem poder de luta?

não dá pra engolir



O LIVRO

“ENCLeuSURADO” é poesia sobre a gente. Num planeta que nos traz a imensidão de formas, cheiros, cores, sensações e inúmeros diversos, e, ao mesmo tempo, nos mostra nosso nanoeu inserido nesse universo, pensamentos e reflexões da nossa vida pululam devido a forças internas e externas que nos rodeiam a todo tempo.

Nesse entrave, uns seres conseguem expressar melhor o que habita neles, outros são mais côncavos em suas expressões, entretanto, a dificuldade de se desenclausurar existe para todos. Ao mesmo tempo, é objetivo de uma maioria de humanos conquistar, que seja em seu nicho, a liberdade de seus sentimentos, de suas ideias, de suas ações e de serem seus próprios seres.

Na minha simplicidade de ser humana, senti que o uso das palavras era e é um meio eficaz para esse processo de desenclausuramento, retirando-as de meus pensamentos, sentimentos e ideias, a fim de realizar uma aglomeração literária para inebriar sentidos.